Orações de desespero: Ezequias

"Tendo Ezequias recebido a carta das mãos dos mensageiros, leu-a; então, subiu à Casa do Senhor [e] estendeu-a perante o Senhor." Isaías 37:14 

EMBORA FOSSE O COMEÇO DA PRIMAVERA, os agricultores já estavam com medo de outras nuvens de gafanhotos, como a que devastara as colheitas do verão anterior. Um desastre semelhante arruinaria muitas famílias e, por este motivo, o dia 26 de abril deveria ser um dia de jejum e oração para todos, homens, mulheres e crianças da comunidade. Naquele dia, um silêncio caiu sobre a Terra enquanto as orações ascendiam a Deus. Na manhã seguinte, o Sol se ergueu em um céu sem nuvens. O termômetro subiu rapidamente para a temperatura do verão, e todos contemplavam horrorizados a terra morna se agitando com os temidos insetos. 

 

Durante os três dias seguintes, o calor despertou um enorme exército de gafanhotos. Que tipo de resposta às suas orações era esta? Mas, no quarto dia, a temperatura caiu e a geada envolveu a terra, destruindo a maioria dos gafanhotos. Naquele verão, o trigo cresceu alto e verde. 

Ao estudar este tema, pense no papel da oração em sua vida, especialmente quando suas orações foram feitas em desespero e temor. 

Assíria, a Vara da Ira de Deus - II Crôn. 29 e 30; 32:1 

Os assírios foram o açoite de Israel e de Judá por mais de 150 anos. Eles tentaram destruir a identidade nacional de seus cativos removendo-os de sua terra e estabelecendo-os em terras estrangeiras. Em 722 a.C., eles conquistaram o Reino do Norte de Israel e levaram o povo cativo. 

O rei Ezequias, de Judá, herdou o problema da Assíria de seu pai, Acaz. Acaz desobedeceu ao Senhor pedindo ajuda dos assírios contra seus inimigos. Os assírios só tornaram as coisas piores, dominando Judá. Acaz também fechou o templo e instalou santuários idólatras por toda parte em Jerusalém e no país (II Crôn. 28:19-21, 24 e 25). 

Que reforma Ezequias introduziu quando se tornou rei? II Crôn. 29:3-5 e 10; 30:1. Que explicação Ezequias deu pelas dificuldades que Judá sofria? II Crôn. 30:6-9 

"A adoração correta de Deus não era novidade para o povo de Deus, pois estava fundamentada na adoração pura e regular no templo. Ezequias, no princípio de seu reinado, encontrou o templo em um lamentável estado de negligência e abuso. Era um espelho da condição do povo perante Deus. Assim, duas tarefas relacionadas foram necessárias: reparar o templo e usá-lo para um serviço [pelo] qual o povo... pudesse voltar a Deus outra vez". 

Leia o convite que Ezequias enviou para a nação em II Crônicas 30:6-9. 

A enorme multidão que foi a Jerusalém apreciou tanto o "acampamento" que estendeu a celebração por mais uma semana (v. 23). Servir a Deus produz alegria. Sob o governo de Ezequias, a nação desfrutou anos de paz e prosperidade. Mais tarde, porém, o rei do Assíria fez guerra contra Jerusalém, e os tempos de paz depressa acabaram (II Reis 18:17). 

Crise Externa e Interna - Isaías 36; 38 

No décimo quarto ano do reinado de Ezequias (701 a.C.), o rei assírio Senaqueribe começou uma campanha contra suas províncias rebeldes, inclusive Judá. Ezequias tomou medidas para fortalecer Jerusalém. Em um feito de engenharia para aquele tempo, ele fez construir um túnel desde as nascentes de Gihon até o Poço de Siloé, canalizando água para a cidade a fim de garantir uma provisão abundante durante o cerco. Ele então fortaleceu os muros da cidade. 

Enquanto isso, as forças assírias conquistaram 46 cidades, inclusive a fortaleza de Láquis. Ezequias tentou satisfazer Senaqueribe com um pagamento volumoso de prata e ouro, mas sem proveito (II Reis 18:14-16). Senaqueribe se vangloriou em seus anais: "Eu assolei o grande distrito de Judá e fiz o orgulhoso e arrogante Ezequias curvar-se em submissão" . 

Enquanto Ezequias enfrentava a invasão assíria por fora, seu corpo estava lutando com uma doença que ameaçava sua vida por dentro. As dificuldades frequentemente surgem todas ao mesmo tempo. 

 Que mensagem lhe chegou do profeta Isaías, e como ele respondeu? Isa. 38:1-3 

Aos 39 anos de idade, Ezequias não estava pronto para morrer. Em resposta ao seu pranto, Isaías voltou com esta mensagem de Deus: "Assim diz o Senhor, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; acrescentarei, pois, aos teus dias quinze anos. Livrar-te-ei das mãos do rei da Assíria, a ti e a esta cidade, e defenderei esta cidade" (Isaías 38:4-6). 

"Ezequias não concluiu que era inútil orar, como se a mensagem profética tornasse a morte inevitável. Se orarmos, Deus pode fazer por nós o que não faria se não orássemos. Porém, os pedidos de cura devem ser feitos no espírito de submissão. Só Deus sabe se a resposta de uma petição haverá de operar para o bem dos que estão envolvidos, e contribuirá para Sua glória". 

Por que Deus às vezes espera até orarmos para agir em nosso favor? Você está enfrentando atualmente uma situação aparentemente sem solução? Acha que orar sobre ela é inútil? Você alguma vez enfrentou situações em que aquilo que pediu especificamente em oração não aconteceu, mas o simples ato de orar lhe deu forças para lidar com a situação? 

O Cerco de Jerusalém - Isaías 36; 39 

Ezequias venceu a batalha contra a morte, mas os assírios ainda controlavam toda Judá, a não ser Jerusalém. Por que o Senhor permitiu que essa calamidade atingisse Seu povo, até depois do reavivamento nacional? Aparentemente, os anos de prosperidade que se seguiram enfraqueceram o caráter da nação. Como foi dito anteriormente, costuma ser mais fácil perceber a Deus na adversidade do que na prosperidade. 

Que fraqueza de caráter Ezequias e seu povo revelaram? Isa. 39:1-4; 22:9-11 

O orgulho de Ezequias estava em suas posses, e não em Deus. O rei que havia exterminado a adoração dos ídolos em Judá tinha ele mesmo alguns ídolos! Ele também dependera do braço da carne buscando aliança com o Egito, apesar da advertência de Isaías registrada em 31:1-3: "Ai dos que descem ao Egito em busca de socorro e se estribam em cavalos; que confiam em carros, porque são muitos, ... mas não ... buscam ao Senhor!". 

O povo confiava nas defesas da cidade, e não em Deus. E quando o cerco foi levantado temporariamente, eles caíram em festas e embriaguez, dizendo: "Comamos e bebamos, que amanhã morreremos" (Isa. 22:12 e 13). 

Um dia, o comandante assírio apareceu do lado de fora de Jerusalém e pediu uma conferência com os oficiais de Ezequias fora dos muros da cidade. Como ele tentou confundir e enganar os homens de Ezequias? Isa. 36:4-7; 13-20. Como Satanás usa estratégias semelhantes para confundir e nos enganar? 

O desafio do comandante contra Deus era banal. Por causa da repetida apostasia de Israel, as nações vizinhas não mais temiam a Deus, e o comandante pensava que podia escarnecer dEle com segurança. 

O escritor alemão Gunther Grass certa vez disse que tudo o que ele sabe é o que vê, ouve e sente. Por que tendemos a confiar principalmente nas coisas que nós mesmos podemos ver, sentir ou ouvir? 

"Estendeu-a Perante o Senhor" - Isa. 37:1-20 

Como Ezequias reagiu quando seus oficiais lhe entregaram a mensagem do comandante assírio? Isa. 37:1-4 

Quando buscamos a Deus, estamos dizendo que cremos que Ele existe e que nos ajudará da mesma forma como ajudou Ezequias. A mensagem que o Senhor lhe enviou por Isaías foi: 

"Não temas por causa das palavras que ouviste, com as quais os servos do rei da Assíria blasfemaram contra Mim. Eis que meterei nele um espírito, e ele, ao ouvir certo rumor, voltará para a sua terra; e nela Eu o farei cair morto à espada" (Isa. 37:6 e 7). 

Deus prometera anteriormente proteger Jerusalém como a mãe pássaro que paira sobre seu ninho (Isa. 31:5), e predisse que a Assíria cairia "pela espada, não de homem" (v. 8). Quando Ezequias ficou doente, Ele prometeu libertar Jerusalém do rei da Assíria (Isa. 38:6). As promessas de Deus não são mais poderosas do que um grande exército? 

Em resposta ao pedido de ajuda de Ezequias, Senaqueribe fugiu de Jerusalém quando ouviu a notícia de que o exército egípcio estava avançando contra ele. Antes de partir, porém, ele enviou uma carta a Ezequias anunciando que voltaria e que nenhum deus poderia salvar Judá (Isa. 37:9-13). 

O que Ezequias fez com a carta? Isa. 37:14-17 

"‘Venha a Mim’, eis o convite de Jesus. Sejam quais forem as suas ansiedades e provações, exponha o caso perante o Senhor. Seu espírito será blindado para a resistência. O caminho se abrirá para se desvencilhar de embaraços e dificuldades. Quanto mais fraco e desamparado você se reconhecer, tanto mais forte se tornará em Sua força. Quanto mais pesados os seus fardos, tanto mais aprazível o descanso em lançá-los sobre Aquele que está pronto a conduzi-los. ...

 

"A ansiedade é cega, e não pode discernir o futuro; mas Jesus vê o fim desde o começo. Em toda dificuldade tem Ele um caminho preparado para trazer alívio. Nosso Pai celestial tem mil modos de providenciar em nosso favor, modos de que nada sabemos". 

Libertação! - Isa. 37:14-38 

A oração de Ezequias é um modelo de como deve ser uma oração pedindo ajuda. Que atributos de Deus Ezequias mencionou quando orou? Por que essas características particulares de Deus eram tão importantes naquele momento? Isa. 37:16 

A oração de Ezequias enfatiza o seguinte: 

Um profundo senso da presença de Deus: "Entronizado acima dos querubins" (v. 16). "É um ponto de grande importância que devemos sentir, em oração, que Deus está realmente conosco em ação e em verdade; que estamos em Sua presença; que os anjos que habitam o reino do Céu não estão mais verdadeiramente em Sua presença, embora possam estar mais conscientes do fato, do que estamos nós quando tomamos seu Nome em nossos lábios e murmuramos nossas petições em Seus ouvidos". 

Uma atitude de reverência: "Tu somente és Deus" (v. 16). É verdade que podemos orar a Deus como a um Amigo, mas nunca devemos esquecer que estamos falando com a majestade do Céu, o Deus verdadeiro, infinito e eterno. Completa confiança no poder de Deus: "Tu fizeste os céus e a Terra" (v. 16). "Duvidar do poder de Deus em intervir em nosso favor... deve ser doloroso para Ele, e deve invalidar nossa oração." Ibidem. 

Confiança em Seu interesse por nós: "Deus de Israel" (v. 16). "Nós nos colocamos de acordo com a vontade de Deus a nosso respeito... quando assumimos o fato de que somos objeto de Sua profunda solicitude, que estamos perto de Seu coração, e que Ele está disposto a fazer tudo o que for necessário para nosso bem-estar presente e bem-aventurança futura". 

Um espírito desinteressado: "Livra-nos..., para que todos os reinos da Terra saibam que só Tu és o Senhor" (v. 20). Ezequias estava preocupado com o destino de Judá, e ainda mais, sua preocupação era que Deus fosse glorificado. 

Em tempos de dificuldade, qual é sua primeira reação? Por que alguns só buscam a Deus quando estão em apuros? Se você estiver enfrentando um problema difícil, naturalmente vai querer orar, mas tome tempo agora para agradecer a Deus e louvá-Lo pelas muitas bênçãos que já recebeu. 

"A súplica de Ezequias em favor de Judá e da honra do seu Supremo Rei, estava em harmonia com a mente de Deus. Salomão, em sua oração de gratidão quando da dedicação do templo, havia orado para que o Senhor executasse ‘o juízo do Seu povo Israel, a cada qual no seu dia, para que todos os povos da Terra saibam que o Senhor é Deus, e que não há outro’ (I Reis 8:59 e 60). Especialmente devia o Senhor mostrar favor quando, em tempos de guerra ou de opressão por algum exército, os chefes de Israel entrassem na casa de oração e suplicassem livramento (I Reis 8:33 e 34)." Nosso Deus ainda é poderoso para salvar e para nos livrar das crises e do pecado. Vamos orar sempre para que, no processo de libertação, Seu nome seja glorificado, qualquer que seja o resultado de nossa situação particular.

 Pr Jonas Neto