Orações de Demanda: Jó 

"Mas Ele sabe o meu caminho; se Ele me provasse, sairia eu como o ouro." Jó 23:10 

PERÍODOS DIFÍCEIS PODEM MARCAR A VIDA com a aparência de que Deus nos abandonou. "Onde está Deus?", C.S. Lewis perguntou, depois que sua esposa morreu de câncer. "Procure-O na hora de seu maior desespero, quando toda outra ajuda for vã, e o que você encontra? Uma porta batendo na sua cara e o ruído de trincos fechando-se pelo lado de dentro. Depois disso, silêncio. Você pode insistir. Quanto mais esperar, mais enfático se tornará o silêncio. Nenhuma luz nas janelas. A casa parece vazia. Haverá alguém lá dentro? Parecia que sim." – A Grief Observed, págs. 4 e 5.

 

Durante a noite escura de Jó, ele exclamou: "Se eu soubesse onde O poderia achar! Então, me chegaria ao Seu tribunal. Exporia ante Ele a minha causa, encheria a minha boca de argumentos. Saberia as palavras que Ele me respondesse e entenderia o que me dissesse" (Jó 23:3-5). Porém, não vinha nenhuma resposta. 

Como as pessoas oram quando as circunstâncias são tão desoladoras que parece não haver saída e que Deus não ouve mais? Este tema procura respostas na história e nas orações de Jó. 

Crise! - Jó 1 e 2

Jó era líder no deserto, e vários indícios no livro de Jó sugerem que ele provavelmente viveu durante o tempo dos patriarcas: (1) Sua idade avançada (42:16), antes que a média da vida humana se abreviasse para setenta anos (Sal. 90:10); (2) O chefe de família, oferecendo sacrifícios em lugar dos sacerdotes do templo (Jó 1:5); (3) não havia Escritura, apenas transmissão oral; e (4) a falta de referência aos grandes eventos da história dos israelitas, como o Êxodo e a conquista da Terra Prometida. 

Jó e seus amigos parecem ser descendentes não israelitas de Abraão. Mas eles eram fiéis adoradores de Deus, fora da comunidade israelita. 

Para responder às perguntas seguintes, leia Jó 1 e 2. 

1. A que tipo de prova Jó foi submetido sem seu conhecimento? Qual era o assunto em discussão? 1:6-12

2. O que aconteceu à vida de Jó quando Deus removeu Sua proteção? 1:13-19; 2:7

3. Que crença comum os amigos de Jó mantinham sobre o sofrimento? Jó 4:7 e 8 

As pessoas sofrem por muitas razões. Muitas desgraças, mas nem todas, provêm de nossas próprias más escolhas. Mesmo o perdão de Deus não interrompe necessariamente a cadeia de conseqüências que seguem como resultado das más escolhas que fazemos. As pessoas também sofrem indiscriminadamente a violência de Satanás, do meio-ambiente e da natureza humana. "Jó e seus amigos estavam inseridos em uma tradição que afirmava ser o sofrimento sempre um castigo por um pecado específico [4:7 e 8]. Ele não tinha conhecimento desse pecado, e foi confrontado com a admoestação para encontrar uma explicação para seu infortúnio." 

As Amargas Queixas de Jó - Jó 7:7-21; 10 

Quando a calamidade o atingiu pela primeira vez, Jó mostrou uma coragem surpreendente (1:20-22). Tragicamente, a angústia física e mental continuou sem abrandar e abalou sua fé até aos alicerces. 

O sofrimento prolongado afeta profundamente o sofredor. Como as orações de Jó mudaram depois de ele ter sofrido por um longo tempo? Jó 6:8 e 9; 7:16. 

A preservação da vida é um dos instintos humanos mais fortes. O fato de Jó querer morrer mostra o seu desespero. Em sua agonia, ele pensava que nunca mais conheceria a felicidade (7:7). Mas ele nunca pensou em tirar a própria vida; ao contrário, ele pediu que Deus a tirasse. 

Jó 10 é outra das orações de Jó, pronunciada na dor. 

 Qual foi o pedido de Jó a Deus? v. 2

Qual era o sentimento dele sobre o que lhe estava acontecendo? v. 1

Qual foi o pedido final de Jó nesta oração? vs. 20 e 21

"O patriarca continua sua discussão contra Deus – mas por que ele agia assim? É como se ele não pudesse abandonar o Senhor. Normalmente, continuamos discutindo com alguém que nunca esperamos que nos responda? A maioria de nós guarda silêncio ou rompe agressivamente o relacionamento. Mas Jó mantém-se apegado a Deus – ele não haverá de abandonar seu Criador... . A perda de Deus o abala muito mais que a destruição de sua riqueza ou mesmo a morte de seus filhos e servos". 

Clamor de Justiça - Jó 9:32-35 

Como "chefe tribal, Jó estava acostumado aos trâmites da justiça. Mas aquele que defendia o oprimido (31:21 e 22) agora espera por uma audiência para si mesmo (13:3, 22 e 23; 23:3-5). Ele concorda com seus amigos que a justiça deve ser recompensada e que o mal deve ser punido. Sua queixa é que Deus violou as regras (9:22-24). Assim, ele se prepara para um procedimento legal com sua assinatura, defendendo a retidão de sua vida (cap. 31; veja especialmente o v. 35). Porém, ele teme ser derrotado em um confronto com Deus e que Deus não responda às suas perguntas, mas que simplesmente o subjugue com uma demonstração de poder (cap. 9:14-20; Compare com 40:1-9). 

Que tipo de ajuda legal Jó desejaria ter? Jó 9:32-35 

O árbitro. Em sua demanda com Deus, Jó sente que não existe ninguém a quem possa recorrer como árbitro. Apenas sob uma de duas condições, ele acha, a contenda pode ser mais equilibrada entre ele e Deus: (1) Se Deus, despindo-Se de todos os atributos divinos, Se tornasse homem, e (2) se pudesse ser encontrado algum árbitro para decidir a questão. Porém, no entender de Jó nenhuma dessas condições é possível. O evangelho fornece o cumprimento das duas condições. O EU SOU é o árbitro entre Deus e a humanidade, colocando Sua mão sobre ambos. Não que precisemos conceber Jesus como se estivesse resolvendo uma contenda entre o homem e Deus, mas Ele é a pessoa que representa Deus perante o homem, Aquele por meio de quem o homem pode entender a Deus e aproximar-se dEle (veja Heb. 2:17 e 18). 

Jó perguntou: "Como pode o homem ser justo para com Deus?" (9:2). Qual é nosso único título para sermos aceitos perante Ele? Rom. 3:23 e 24 

Vislumbres de Esperança - Jó 13:15 e 16; 14:7-17; 19:25-27; 23:10 

O silêncio é um dos tratamentos mais cruéis que uma pessoa pode dar a um amigo. Ele é facilmente interpretado como hostilidade. O silêncio de Deus provocou a tristeza de Jó. Ele falava com Deus, exigindo uma audiência. Mas Deus não respondia (13:22 e 24; 30:20). Mas, na escuridão do abandono de Jó, raios de luz, cada mais vez mais intensos, brilhavam sobre ele. Esses raios foram a causa de sublimes expressões de fé. 

Jó 23:10 "é um dos versos-chave do livro. Embora aparentemente Jó não pudesse encontrar a Deus, ele cria que Deus estava ciente de seus caminhos e tinha um propósito em Seus procedimentos com ele. Jó estava começando a entender que estava sendo provado. Ele ainda não sabia do desafio de Satanás a seu respeito. Um dos degraus da escada pela qual Jó subiu do desespero para a fé foi o reconhecimento de sua parte de que não estava sendo castigado ou tratado injustamente, mas que estava sendo provado para sair como ouro puro de um forno". Seu diálogo com Deus começou a mostrar essa mudança. 

Progresso! - Jó 38:1; Heb. 11:6 

A maior tristeza de Jó não era a perda de sua propriedade ou de sua família, mas a perda do senso da presença de Deus. Onde Jó finalmente o encontrou? Jó 38:1 

No meio do discurso final de Eliú, um grande redemoinho se aproximou (cap. 37) e Deus falou a Jó no meio daquela tormenta. "Depois disto, o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó" (Jó 38:1). Por entre as tempestades da vida nós lutamos, e nas tempestades achamos a Deus. 

Em Jó 38, Deus não pretende "resolver a contenda , mas revelar-Se. Ele nem explicou a Jó a razão de seu sofrimento. Compreender claramente a Deus é mais importante do que uma exposição de todas as razões da providência divina. Deus não explica por que o mal prospera ou por que o justo sofre. Ele nada diz sobre o mundo futuro, nem sobre a futura compensação das desigualdades presentes. Deus simplesmente Se revela – Sua bondade, Seu poder, Sua sabedoria – e, com essa revelação, pretende resolver os problemas de Jó". 

Hoje, muitos ladrões tentam roubar nossa intimidade com Deus. Freqüentemente, permitimos que o senso de culpa, sofrimento e dor se interponham entre nós e Ele, mas a dúvida é a mais cruel arma contra a fé. Depois de estudar a ciência e a teologia contemporânea, muitos cristãos exclamam: "Levaram o meu Senhor, e não sei onde O puseram!" (João 20:13). Perder Deus de vista abala os próprios alicerces da vida. 

Que atitude é necessária a fim de fazer contato com Deus? Heb. 11:6. Como se obtém essa atitude? Rom. 10:17 

Os crentes hoje não precisam mais experimentar o silêncio de Deus, porque Ele fala conosco pela Sua Palavra. Podemos guardar no coração as promessas que aproximam Deus de nós, especialmente nos momentos de crise. Podemos também sair da escuridão cantando os grandes hinos da fé. Então, essas promessas e hinos se tornam algumas das maiores orações que já foram pronunciadas. 

Lemos sobre as circunstâncias que envolviam a última oração de Jó, registrada em Jó 42:7-10. O que esta oração nos ensina sobre a graça e o perdão? 

"Esforcemo-nos por andar na luz como Cristo está na luz. O Senhor mudou o cativeiro de Jó quando ele orou, não só por si mesmo, mas também pelos seus adversários. Quando ele desejou honestamente que os seus ofensores fossem ajudados, ele próprio recebeu ajuda. Oremos não só por nós mesmos, mas por aqueles que nos ofendem e continuam a nos ferir. Ore, ore, sobretudo mentalmente. Não dê descanso ao Senhor; pois Seus ouvidos estão abertos para ouvir as orações sinceras, importunas, quando o coração é humilhado perante Ele." 

No decorrer da longa e escura noite de sofrimento, Deus está conosco, embora não possamos sentir Sua presença. Precisamos apegar-nos a Ele em oração e pela fé nas promessas de Sua Palavra.

 

 

Pr Jonas Neto