As dez pragas

Introdução Ex 7:14-10:29 

A Primeira praga: as águas do Nilo se transformam em sangue (7:14-Z5) 

O Senhor ordenou a Moisés que fosse encontrar Faraó à beira do rio Nilo. Provavelmente, o rei estava tomando banho no rio "sagrado". Ele deveria avisar ao governante que, depois de o rio se transformar em sangue, os peixes morreriam, as águas cheirariam mal e os egípcios teriam nojo de beber aquela água. 

Moisés e Arão fizeram como Deus havia ordenado: levantando o bordão, feriram as águas do rio, e toda a água do rio se tomou em sangue. Então os peixes morreram, o rio cheirou mal e ninguém podia beber sua água. Os sábios de Faraó, contudo, também imitaram esse milagre com água retirada de algum outro lugar fora do rio Nilo, o que encorajou Faraó a resistir aos apelos de Moisés para que deixasse o povo ir. As águas do Nilo ficaram poluídas durante sete dias. Os egípcios precisaram cavar poços para encontrar água potável. 

 

Segunda praga: rãs Ex 8:1-15 

A praga das rãs foi tão terrível que, por um momento, Faraó pareceu ceder. Ele chamou Moisés e pediu que rogasse ao Senhor para livrá-la das rãs. Moisés respondeu: "Digna-te dizer-me quando é que hei de rogar por ti, pelos teus oficiais e pelo teu povo, para que as rãs sejam retiradas de ti e das tuas casas e fiquem somente no rio". Ironicamente, os magos egípcios também conseguiram reproduzir o milagre das rãs, como se já não houvesse rãs suficientes! 

Provavelmente, os magos realizaram esse milagre por meio de poderes demoníacos, mas não as devem ter destruído, uma vez que a rã era adorada como deusa da fertilidade! No dia seguinte, a terra cheirou mal por causa das rãs mortas. E Faraó, aliviado da praga, continuou de coração endurecido.  

Terceira praga: piolhos Ex 8:16-19 

A terceira praga transformou o pó da terra em piolhos. Dessa vez, os magos não conseguiram reproduzir o milagre e disseram a Faraó que havia uma força maior em operação. O rei, contudo, não lhes deu atenção. Quanto mais Faraó endurecia o coração, mais este era endurecido pelo Senhor. 

Quarta praga: moscas Ex 8:20-34 

8:20-24 Uma vez que o coração de Faraó continuava endurecido, Deus enviou enxames de moscas. Na verdade, o hebraico original traz literalmente enxames (ou "misturas"), com o nome específico dos insetos (moscas) tendo sido fornecido pelos tradutores. É provável que esses enxames fossem uma mistura de vários tipos de insetos. Considerando que todas as pragas eram dirigidas contra os falsos deuses do Egito (além do Nilo, quase todos os seres vivos no Egito eram adorados como deuses), é possível que se tratasse de enxames de besouros, o que representaria um ataque direto contra Khepri, deus simbolizado por um escaravelho sagrado.' 

Faraó concedeu permissão para os israelitas oferecerem sacrifícios ao Senhor, mas não permitiu que saíssem da terra do Egito. Essa meia concessão, contudo, não funcionaria, pois os israelitas teriam de sacrificar animais adorados pelos egípcios, o que poderia causar tumulto. Em vista disso, Faraó cedeu um pouco mais e permitiu aos hebreus irem ao deserto, desde que não fossem muito longe. No entanto, isso também não era o bastante, pois Deus havia ordenado que viajassem uma distância de três dias. Tão logo o Egito se viu livre dos enxames, Faraó mudou de ideia e não deixou o povo sair. 

Quinta praga: peste sobre os rebanhos Ex 9:1-7) 

Após avisar Faraó com antecedência, Deus enviou uma pestilência (possivelmente o antraz) sobre todos os rebanhos egípcios que havia no campo. Porém, os rebanhos que pertenciam aos israelitas não foram afetados. Tratava-se, portanto, de um julgamento discriminatório que não pode ser explicado por meio de fenômenos naturais. Todas as tentativas de explicar as pragas de uma perspectiva natural acabam se mostrando incongruentes. Todavia, nem todos os animais egípcios foram destruídos, pois Deus menciona alguns animais sobreviventes nos versículos 19 e 20, e outros animais morreram mais adiante, na noite da última praga (12:29b). Portanto, a expressão "todo o rebanho", no versículo 6a, significa: "todos os animais que estavam no campo" ou "todas as espécies de animais". 

O carneiro, o bode e o touro eram considerados animais sagrados para os egípcios, mas, naquele momento, as carcaças em decomposição desses animais estavam poluindo todo o meio ambiente. 

Sexta praga: úlceras Ex 9:8-12 

Tendo em vista a dureza do coração de Faraó, Deus transformou cinzas em úlceras sobre homens e animais do Egito. Até os magos foram atingidos. Quanto mais Faraó endurecia o coração, mais o Senhor o endurecia. 

Sétima praga: chuva de pedras Ex 9:13-35 

A expressão "todas as minhas pragas" provavelmente se refere à força total das pragas de Deus. O Senhor chama a atenção de Faraó dizendo que poderia ter destruído o rei e o povo egípcio com a última pestilência, mas, em vez disso, poupou a vida do governante para demonstrar seu poder e proclamar seu nome sobre toda a terra. Não há nenhuma indicação no versículo 16 de que Faraó estivesse predestinado à perdição. 

Essa não é uma doutrina bíblica. O Senhor utilizou Faraó como exemplo do que acontece quando alguém resiste ao poder de Deus (d. tb. Rm 9:16-17). 

A praga seguinte ocorreu sob a forma de chuva de pedras e trovões. Essa tempestade destruiu homens, animais e toda planta no campo (i.e, o linho e a cevada, v. 31), exceto o trigo e o centeio, porque ainda não haviam nascido (v. 32). Os israelitas que moravam em Gósen não sofreram dano. 

Atendendo ao pedido de Faraó, Moisés orou ao Senhor, e a praga cessou. Porém, conforme Moisés suspeitava, Faraó se tomou ainda mais implacável contra os hebreus. 

Oitava praga: gafanhotos Ex 10:1-20 

Moisés e Arão advertiram Faraó da praga de gafanhotos, mas o rei permitiu que somente os homens israelitas participassem da festa ao Senhor. As mulheres e crianças deveriam ficar. Deus, porém, não permitiria que os homens fossem para o deserto deixando a família para trás. Foi uma praga de gravidade sem precedentes. Os gafanhotos devoraram todas as plantas comestíveis que havia na terra do Egito. Esse acontecimento demonstrou que o deus egípcio Serápis era incapaz de proteger o povo dos gafanhotos. Faraó parecia disposto a ceder, mas não deixou ir os filhos de Israel. 

Nona praga: três dias de trevas Ex 10:21-29 

10:21-28 A nona praga trouxe três dias de trevas tão espessas, que davam a impressão de que se podiam apalpar. Somente os filhos de Israel tinham luz nas suas habitações, outra clara demonstração do poder de Deus. Rá, deus egípcio do sol, foi desmascarado como divindade impotente. Faraó autorizou Moisés a ir ao deserto e servir ao Senhor, permitindo até que as crianças fossem junto, porém não deixou que levassem os rebanhos e o gado. Percebe-se que Faraó estava preocupado em garantir o retorno dos israelitas (e, talvez, procurando uma forma de reabastecer os próprios rebanhos). Contudo, se os israelitas deixassem os rebanhos, não teriam animais para sacrificar a Jeová, não cumprindo, dessa forma, o objetivo principal da viagem, que era justamente realizar sacrifícios. 

Moisés não estava disposto a barganhar com Faraó. 

Por essa razão, o rei o expulsou de sua presença e ordenou que nunca mais voltasse. 

"Bem disseste; nunca mais tornarei eu a ver o teu rosto". Essa declaração de Moisés parece contradizer 11:8, em que está registrado que Moisés, "ardendo em ira, se retirou da presença de Faraó". 

Matthew Henry acredita que a expressão "nunca mais tornarei" significa "depois dessa vez" e que a declaração em 11:8 foi pronunciada no mesmo "encontro". 

Matlhew escreve: 

Depois desse encontro, Moisés não tomou a falar com Faraó até o dia em que este o chamou. 

Quando os homens rejeitam a palavra de Deus, o Senhor permite que continuem vivendo em suas ilusões e lhes responde conforme a multidão de seus ídolos. Após os gadarenos rogarem que Jesus partisse, ele os deixou imediatamente." 

A Páscoa e a morte do primogênito 

Ex 11:1-12:30 

Moisés ainda não havia saído da presença de Faraó, pois os versículos 4-8 mostram que ainda estava conversando com o rei. Os primeiros três versículos podem ser considerados um parêntese no relato. 

Em vista da praga final, Deus ordena a Moisés que o povo peça aos egípcios objetos de prata e de ouro. 

Moisés adverte Faraó de que todo primogênito [ ... ] do Egito morreria à meia-noite de uma data específica (cf. 12:6), porém os israelitas não seriam afetados. 

Além disso, Moisés predisse que os oficiais de Faraó o procurariam e se inclinariam perante ele, implorando para que os hebreus saíssem imediatamente. Tendo dito essas palavras, ele saiu da presença de Faraó ardendo em ira. O rei não quis ouvi-lo, e o Senhor endureceu o coração de Faraó. 

O Senhor forneceu instruções detalhadas a Moisés e Arão sobre como preparar o povo para a primeira Páscoa. O cordeiro, obviamente, é um símbolo de Cristo (1 Co 5:7). Os critérios para a escolha do cordeiro eram: sem defeito (representando a ausência de pecado em Cristo); macho de um ano (talvez numa alusão ao fato de que nosso Senhor morreu muito jovem); deveria ser guardado até o décimo quarto dia daquele mês (indicando os trinta anos de vida particular de Jesus em Nazaré, período durante o qual foi testado por Deus, além dos três anos de ministério público em que foi amplamente examinado pelos homens); toda a congregação de Israel o imolaria (Cristo foi morto por mãos de iníquos; At 2 :23); deveria ser morto no crepúsculo da tarde, isto é, entre a hora nona e a décima primeira (exatamente a hora em que Jesus morreu; Mt 27:45-50); o sangue do cordeiro deveria ser colocado na porta das residências, para que os moradores se salvassem do destruidor (da mesma forma, o sangue de Cristo, apropriado pela fé, nos salva do pecado, da natureza carnal e de Satanás); a carne deveria ser assada no fogo (representando o derramamento da ira divina sobre Cristo por causa de nossos pecados); deveria ser comido com pães asmos e ervas amargas (simbolizando Cristo como alimento para seu povo). Os cristãos devem viver de forma sincera e verdadeira (sem o fermento da malícia e da perversidade) e em arrependimento genuíno, sempre se lembrando da amargura dos sofrimentos de Cristo. Por último, nenhum osso do cordeiro deveria ser quebrado (v. 46), fato que se cumpriu literalmente no caso de nosso Senhor (Jo 19:36). 

A primeira Páscoa deveria ser celebrada em espírito de partida imediata para uma viagem, um lembrete de que somos peregrinos, temos uma longa jornada pela frente e, portanto, não devemos carregar muito peso. A palavra "Páscoa" provém do hebraico pesah, que significa "passar por cima", isto é, o Senhor passou por cima das casas marcadas com sangue. Cole explica: "Quer pesah tenha sido usada em conformidade com a sua etimologia, quer se trata-se de um trocadilho, para Israel a palavra significava "passar por cima" ou "saltar por cima"; foi empregada, portanto, em referência a esse ato histórico de Deus de poupar Israel" .10 A Páscoa ocorreu no décimo quarto dia do primeiro mês (v. 2), conforme o calendário religioso de Israel. Havia outra festa relacionada com a Páscoa: a Festa dos Pães Asmos. Naquela primeira noite de Páscoa, o povo saiu com muita pressa e não houve tempo para levedar a massa de pão (v. 34,39). Posteriormente, ao observarem a festa durante sete dias, os israelitas lembrariam a rapidez com que saíram do Egito. Contudo, uma vez que o fermento é um símbolo do pecado, também lembrariam que os redimidos pelo sangue precisavam abandonar o pecado e deixar o mundo (representado pelo Egito) para trás. Conforme o texto, qualquer um que comesse pão levedado seria eliminado, isto é, expulso do acampamento e afastado de seus privilégios. Dependendo do contexto, a palavra "eliminado" significa "condenado à morte". 

 

Pr Jonas Neto