As sete Bendições da Terra de Israel

Porque o Senhor teu Deus te deu uma boa terra, terra de ribeiros de águas, de fontes e de abismos, que saem dos vales e das montanhas. Terra de trigo e cevada, de videiras, de figueiras e romeiras, terra de abundantes oliveiras, abundante de azeite e mel. Terra em que comerás o pão sem escassez e nada nela te faltará" Dt 8:8-9. 

Apesar dos projetores da história focalizarem as guerras e os dramas em que reis e generais ocupam todo o palco da história, por detrás dos bastidores, paralelo aos eventos transcendentais, sempre foi o homem simples e humilde que construiu e criou a vida cotidiana no campo e nas cidades. Na verdade, a Terra Prometida foi cultivada e construída pelos agricultores, pastores e artesãos que, com carinho e cuidado, forjaram o cenário e o palco da história. 

 

A diversidade de clima e topografia da Terra Prometida sempre permitiu uma grande variedade de cultivos. Na área montanhosa, a oliveira e a videira; os vales sempre foram os celeiros de trigo, no norte, e de cevada, no sul; enquanto que no oásis de Jericó e Ein Gedi, os frutos das árvores de "afarsemon" serviam de matéria prima para a rendosa indústria de perfumes. No vale do Jordão, as tâmaras eram usadas na produção do mel, transformando em realidade a promessa divina sobre a "terra onde emana leite e mel". 

 Dois outros importantes setores da economia na época de Jesus eram o pastoreio, na região do deserto, e a pesca, no lago Tiberíades e no mar Mediterrâneo. 

Porém, de todos os frutos da Terra Santa, a Bíblia cita sete como sendo a benção de Deus à terra de Israel, em hebraico, "shivat ha minim", ou seja, as sete espécies. 

A Romã era admirada por sua beleza, sendo usada como decoração em diversos objetos do templo, como na menora (candelabro de sete braços) e no cetro dos sacerdotes. (Uma romã de marfim, provavelmente parte de um cetro sacerdotal da época do Primeiro Templo, se encontra hoje no Museu de Israel.) A romã simbolizava, também, a fertilidade e a abundância, servindo de motivo em algumas das moedas cunhadas durante o período hasmoneu. 

A Tamareira foi, no passado, símbolo da Judéia. Os romanos, quando derrotaram os judeus no ano 70, puseram nas moedas comemorativas do evento uma mulher chorando embaixo de uma tamareira, como símbolo da Judéia conquistada. 

Também os judeus usaram a tamareira como símbolo da terra de Israel. Durante a revolta de Bar Cohba (132 - 135 d.C.), inúmeras moedas foram cunhadas com a tamareira, sempre com sete palmas, lembrando o candelabro de sete braços, símbolo das aspirações libertárias do povo judeu. Herodes e os procuradores romanos para a Judéia, Rufus, Coponius e Felix, usaram a tamareira ou sua folha nas moedas cunhadas por eles, como símbolo da vitória. 

A Figueira é parte da paisagem de Israel, simbolizando a paz e a propriedade da terra, como está escrito no livro do profeta Miqueias: "Cada um embaixo de sua parreira e debaixo de sua figueira ... todo o tempo em que andarmos em nome do Senhor nosso Deus, eternamente e para sempre" Mq. 4:4. 

A Cevada e o Trigo sempre foram a base da alimentação nos tempos bíblicos e, quando alguém queria exprimir tristeza, não trazia pão à sua boca, como fez David quando orava para que seu primeiro filho com Abigail não morresse. 

O pão, por outro lado, representava um privilégio, quando era servido a alguém na mesa real. Nas moedas de Agripas I e Pontius Pilatus, as espigas de trigo e de cevada serviram como motivos de prosperidade e de riqueza. 

A Oliveira está espalhada por toda Israel, desde a Galiléia até a Samaria e a Judéia, simbolizando a continuidade, quando o que uma geração planta será colhido por muitas outras. A oliveira exige um mínimo trato durante o ano inteiro, porém, exige um esforço de toda a família durante a colheita e, posteriormente, no processo de industrialização, para transformá-Ia em óleo, que servirá não só para a alimentação como também para iluminação e matéria prima na indústria de cosméticos da época. Por suposto que o óleo de oliva recebe o seu lugar de honra na história, por ter sido usado pelos judeus para ungir os reis e sacerdotes. 

A Vinha sempre teve uma conotação ligada à alegria, sendo o vinho elemento obrigatório em muitas das festas e dias santos judaicos, como na entrada e saída dos sábados ou os quatro cálices de vinho obrigatórios na ceia da Páscoa. 

A Amendoeira é a primeira árvore a florescer anunciando a vinda da primavera, e com ela um novo ciclo de vida na natureza. 

 

 

Pr Jonas Neto