Campo de Batalha do Crente

 

“Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes” (Ef 6:13).

Por que somos atacados pelo inimigo? Qual é a causa dos constante ataques? Por que todo o crente espiritual é visado pelo inimigo de nossas almas? Sem dúvida a principal razão é a nossa posição em Cristo. O conhecimento de nosso estado “em Cristo” é uma proclamação de guerra contra o inimigo vencido na cruz. Pois, se essas palavras “estar em Cristo” são uma realidade na vida daquele que as pratica, atrairão também as tempestades, porque o inimigo concentra os ataques para derrubar o combatente. O inimigo vencido pela morte e ressurreição do Senhor, não pode suportar que nenhum viva a vida que está em Cristo. Se ele puder, tentará impedir, ou pelos menos, retardar a obra de Deus quer realiza em nós. Portanto devemos afirmar nossa posição em Cristo para que tenhamos o direito de participar do seu pleno triunfo e do despojo de sua vitória.

O Apóstolo fala da posição daqueles que trabalham em um lar cristão. O ensino de Paulo eleva a relação de senhor e escravo ao nível de Cristo que veio ao mundo para servir.

O servo deve saber que nada há de desprezível em sua posição, e o senhor deve compreender que nunca deve humilhar o servo. Paulo dá o exemplo de Cristo: Aos servos diz que obedeçam a seus senhores “na sinceridade de vosso coração, como a Cristo … ” “servindo de boas vontade como ao Senhor”. O senhor deve seguir a mesma linha, sabendo que seu Senhor está no Céu e que diante do Senhor não há acepção de pessoas.

A partir do v. 10 o apóstolo muda radicalmente o rumo do seu ensino. Do santuário do lar, somos levados pelo apóstolo ao campos de batalha. A epistola termina onde começou: nos lugares celestiais. O crente está nos lugares celestiais, e é aí que é também atacado. A causa desses ataques é a nossa posição em Cristo. O inimigo não suporta essa conquista.

I – A CONDUTA DOS TRABALHADORES

1. A conduta dos empregados em relação aos patrões (vv. 5-8).

A relação de serviço entre patrão e empregado é, antes de tudo, uma relação de submissão e obediência, pois o empregado precisa do patrão para sua subsistência. Por outro lado, o patrão deve respeito ao empregado porque precisa dele para realizar o seu serviço. Essa relação deve ser natural. Outro fator que deve merecer a nossa apreciação dessa relação é o espiritual. O caráter espiritual tem por objetivo ensinar o crente a que trabalhe com honestidade procurando cumprir seus deveres, porque fazendo assim, terá a bênção de Deus. Pois, a expressão “obedecei a vossos senhores segundo a carne”, significa afirmar que se trata de algo material, terra I. Mas, a Bíblia declara que assim fazendo “é como a Cristo” (v. 6).

A expressão “com temor e tremor” não quer que o empregado deve trabalhar com medo. O sentido é trabalhar com responsabilidade e prontidão.

Quando Paulo fala em “sinceridade de coração” (v.6) significa que o trabalhador crenteprocura trabalhar com inteireza de coração. Não faz nada que traia essa singeleza, mas faz tudo com “boa vontade”. Ao procurar agradar o patrão, o crente deve fazê-Io sem trair sua fé, porque dessa forma está também fazendo a vontade de Deus.

“Servir de boa vontade como ao Senhor” (versículos 6,7). O princípio que rege um bom empregado é trabalhar com fidelidade em quaisquer circunstâncias: na presença ou na ausência do patrão, como o texto afirma: Não servindo à vista”, “u. servindo de boa vontade” (vv. 6, 7). Mesmos que não gostemos muito do trabalho que fazemos, se somos submissos, devemos fazê-lo de boa vontade. Nossa fidelidade aqui na terra nas coisas justas dessa vida nos tornam aptos par recebermos a recompensa do Senhor (v. 8).

2. A conduta dos patrões em relação aos seus empregados (v. 9).

Os direitos e privilégios, tanto do patrão como do empregado, possuem características próprias. Em relação à conduta dos patrões, a Bíblia destaca aqui, três:

a) Reciprocidade (v. 9).

O que é reciprocidade? É aquilo que é válido em matéria de valores para duas pessoas. Se o servo faz como “ao Senhor”, se serve “de coração sincero” e de “boa vontade”, se serve procurando “fazer a vontade de Deus”, a Bíblia, então, ordena aos patrões “e vós, senhores, fazei o mesmo para com eles”

b) Respeito (v. 9).

O crente verdadeiro ama a Cristo e respeita as pessoas. Dignidade e respeito devem reger as mentes, tanto dos patrões como dos empregados. Todo patrão tem o direito de exigir boa prestação de serviço de seus empregados, porém, isto não significa tratamento perverso, desumano. Toda forma de intimidação é prejudicial para ambas as partes. O respeito deve ser mútuo.

c) Igualdade (v. 9).

É lamentável que entre os crentes ainda haja discriminação social, racial, cultural e religiosa. A melhor forma de conduzirmos todas as pessoas da terra a Jesus Cristo, como Salvador e Senhor, é mostrá-Ias que Cristo morreu por todos. No entanto, no campo do trabalho, existem categorias distintas de atividade e responsabilidade, e as pessoas que assumem essas posição e atividade que fazem. Isto não é discriminação.

II – O CRENTE NA BATALHA ESPIRITUAL

A partir do v. 10, a Bíblia discorre sobre a batalha espiritual inevitável do crente contra as forças do mal. Queimamos ou não, a partir da queda do homem por seu pecado no Éden, iniciou-se uma batalha. Gn 3:15 indica a causa e a razão dessa batalha que começou na inimizade declarada entre a “antiga serpente”, o Diabo, e “a semente da mulher”, Jesus. O cumprimento desse conflito cósmico teve seu clímax no Calvário, quando Jesus declarou a derrota de Satanás. Só podemos enfrentar e vencer esta batalha usando as armas espirituais providas por Deus, relatadas aqui no texto bíblico.

É preciso estar preparado para esta batalha espiritual mediante os três elementos

ensinados nos (vv. 10, 11).

1. Fortalecimento (v. 10).

Na batalha espiritual só estão aptos para participar dela os que pertencem ao Senhor.

Não se trata de mero fortalecimento físico ou intelectual, mas é um fortalecimento “na força do seu poder”. Em outras palavras, nenhum crente entra nesta batalha com armas materiais ou físicas. É preciso estar cheio do poder do Espírito;

2. Conhecimento (v. 11).

Você pode me perguntar: “Que tem a ver conhecimento com armadura?” Para termos a armadura de Deus, precisamos conhecer todo o equipamento dessa guerra espiritual. Precisamos estar revestidos da armadura de Deus: (armadura: conjunto de armas defensivas dos antigos guerreiros, especialmente aqueles a sua vestidura e proteção direta do corpo), ter todas as armas necessárias para um combate. A armadura espiritual incompleta torna o crente vulnerável aos ataques satânicos.

3. Treinamento (v. 11).

Um soldado precisa ser forte, conhecer e treinar o suficiente para entrar na batalha. A igreja de Cristo é o quartel-general, onde os soldados são equipados e preparados. Somos treinados através do ensino sadio da Palavra de Deus (2 Tm 3:16,17).

III – O CAMPO DE BATALHA ESPIRITUAL

Toda batalha tem seu campo de ação e envolve vários aspectos bélicos tais como o lugar, o inimigo, a estratégia e as armas de ataque e defesa.

1. O lugar de combate dessa batalha (v. 12).

O local não se limita a alguma área geográfica e terrena, mas abrange todo e qualquer lugar onde reino de Deus esteja. Onde estiver um crente fiel, ali se torna um campo de batalha. ” não temos que lutar contra a carne e o sangue” É uma expressão que denota o tipo o tipo de batalha – não é humana, de homens contra homens – mas é luta espiritual contra inimigos espirituais. Adiante, Paulo nos especifica que esta batalha ocorre “nos lugares espirituais” ou “regiões celestiais“.

Esta posição é elevada, uma conquista de todo o crente verdadeiro.

2. Os inimigos da batalha (v. LI, 12).

Temos duas citações especiais que identificam nossos inimigos: Diabo (v. 11), e “as hastes espirituais da maldade” (v. 12).

Quem é o Diabo? Leia em Ez 28:12-17; Jo 12:31; 2 Co 4.4, As hostes espirituais da maldade incluem “principados, potestades e príncipes das trevas deste séculos”, São classes de demônio, isto é, anjos caídos, que realizam tarefas sob o comando de Satanás, o chefe, em várias áreas de atividade da vida humana.

3. As armas espirituais para a batalha (Ef. 6: 13 -17).

Paulo serviu-se das armas do soldado romano da sua época.

 

a) O cinto da verdade (v. 14) servia para prender a couraça do soldado.

A verdade é a representação de tudo o que somos. Nossos vestidos de guerra são seguros com a verdade;

 

b) A couraça da justiça. Uma ofensiva de proteção para o peito. A justiça une-­se a verdade, e o crente que não anda com elas, pode ser derrotado pelo inimigo (Is 59:17; 1 Ts 5:8);

 

c) Calçados na preparação do evangelho da paz (v. 15), Por onde o crente anda deve deixa um rasto do Evangelho e sinais que ele pertence a “gente de paz”. Um cristão contencioso é uma contradição, anomalia;

 

d) Escudo da fé (v. 16), uma arma defensiva que fica presa ao braço e impede que os dardos do inimigo alcance o corpo do soldado. Significa, espiritualmente falando, a Palavra de Deus para a nossa defesa. Cristo serviu­-se deste escudo três vezes quando resistiu ao Diabo;

 

e) O capacete da salvação (v. 17), servia para proteger a cabeça. É a idéia da certeza da Salvação de Deus, a esperança segura e certa que guarda a mente das incertezas e dúvidas;

 

f) A espada do Espírito (v. 17), uma ofensiva que deve estar sempre na mão e na mente do crente. É a Palavra de Deus empregada pelo Espírito para convencer e assegurar.

 

4. A provisão para a batalha (Ef. 6:18-20).

É a oração – a maior provisão do crente. A Palavra nos alerta que devemos “orar em todo o tempo”, não dando lugar nem trégua ao Diabo. O crente deve orar incessantemente (CI 4:2; 1 Ts 5:17). Devemos orar com súplica ano Espírito (v. 18).

A vida cristã inteira é uma guerra, mas, como em todas as guerras, há dias de calma e dias de ataque. O “dia mau” na guerra espiritual é aquele que especialmente ameaça o nosso caráter moral e espiritual. O dia mau de José veio quando ele foi tentado, mas resistiu vitoriosamente; o dia mau de Pedro veio quando ele estava no pátio do sumo sacerdote, e para ele era duplamente mau, porque negou o seu Mestre.

Se fôssemos avisados de antemão que a provação ou tentação se aproxima, poderíamos vigiar e esperar por ela (Lc 12:39). Infelizmente, essas coisas vêm de modo repentino e nos pegam desprevenidos.

 

Pr Jonas Neto

www.prjonasneto.com

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