1ª Parábola – Do peixe e dos pescadores

Ao iniciarmos os estudos das parábolas, devemos entender o que quer dizer o termo parábola.


PARÁBOLAS = História curta com o fim de ensinar lições a respeito do reino de Deus, ou de sabedoria ou moral. (Mateus 13:3-23).

 

AS PARÁBOLAS DO SENHOR JESUS CRISTO

 


Jesus entra em nosso caminho, nos quatro evangelhos, como o Mes­tre das paráb
olas, porque ele é o Mestre da Vida. Como se expressa maravilhosamente Butterick: “As parábolas são mensagens caracte­rísticas de Jesus (Mc 4:34). São as suas mais notáveis mensagens; seus quadros ainda são uma forte gravura que relembram quando o rústico se torna obscuro. São a sua mensagem mais persuasiva; um ensino proseado não poderia quebrar nossa inflexível vontade; mas a vista do pai vindo para dar as boas-vindas a seus filhos desobediências deixa-nos totalmente indefesos”.

As parábolas de Jesus são singu­lares e incomparáveis. The Aesops’s fables [As fábulas de Esopo] e Os contos da Cantuária, de Chaucer, tornam-se pálidos em insignificância ao lado das incomparáveis nar­rativas daquele que é o “incomparável contador de parábolas”. Se, como Hillyer Straton afirma, “uma das coisas mais interessantes sobre as formas parabólicas de literatura é a sua raridade, as boas parábolas são poucas e muito distantes”, nosso Se­nhor certamente não tinha nenhu­ma falta nesse sentido. Nada pode­ria, ou pode, competir com ele, cuja percepção era tão instantânea, cuja imaginação era tão rica e cujo discernimento, tão verdadeiro. “Da perspectiva de suas realidades para a vida, as parábolas de Jesus são insuperáveis.” Ele tinha a habilida­de de empregar todas as formas e variedades de figura de linguagem, da sua forma mais simples até a mais complexa elaboração.

 

Com respeito às parábolas e aos símiles, pouco ou muito expandidos ou explicados, enquanto umas 30 parábolas são citadas como reais, ocorrem mais de 100 figuras de lin­guagem. Sem dúvida nosso Senhor usou muito mais, e é impossível sa­ber quantas parábolas proferiu. To­das as do seu discurso são altamen­te figuradas e constituem as mara­vilhosas e impressivas exibições da verdade.

Como já mostramos, todos os seus milagres contêm um signifi­cado parabólico escondido, de modo que as parábolas têm significado mais profundo que o literal. Seus en­sinos parabólicos são em geral intro­duzidos primeiramente pela fórmu­la: “Propôs-lhes outra parábola, di­zendo…”. Às vezes, a imagem de uma parábola é relacionada com um dita­do parabólico, não tanto anunciado.

Em nossa pesquisa das parábo­las do AT, vimos que muitas tinham significado claro; mas em outras isso não ocorreu. Por exemplo, na Pará­bola da cordeira, Davi não vê a ex­plicação até que ele mesmo conde­nasse o culpado. Acabe e os cativos que escaparam é outro exemplo. Es­ses símbolos do AT tinham a inten­ção de chamar a atenção para uma pretendida lição, por retratar de modo objetivo a maldade desmasca­rada. Como algumas parábolas neces­sitavam de comentarista, Jesus atuou desse modo e explicou o significado de algumas delas, em particular, para. os seus discípulos, porque receberam o conhecimento dos “mistérios do rei­no” (Mt 13:11).

Outras de suas pará­bolas, contudo, foram tão menciona­das que foram entendidas até mes­mo pelos seus inimigos, pois, sem dúvida, era a sua intenção.

Butterick afirma que o dom de Jesus de apresentar parábolas ain­da é muito respeitado atualmente: “Os dias de sua vida fluíram dos portões dourados para dentro da ci­dade de sua alma, para ali ser trans­formado por uma divina alquimia em incomparáveis parábolas […] Se pudéssemos apenas ter ouvido as narrativas que fez no crepúsculo da Síria para as criancinhas, na casa de Maria!”. Pelo estudo de suas pará­bolas, fica evidenciado que aqueles 30 anos escondidos em Nazaré o pu­seram em contato com todo tipo de pessoas. Estava intimamente asso­ciado com a vida humana, assim também com a ordem política de seu tempo. Desse modo, quando come­çou seu ministério público, o hetero­gêneo grupo de personagens que ti­nha encontrado e o vivido cenário que conhecia tão bem foram “transforma­dos em narrativas inesquecíveis – cada parábola com linhas tão defini­das como uma gravura a água-forte”.

Quanto à forma em que as pará­bolas de Cristo devem ser estudadas, tentativas foram feitas para colocá-las em ordem cronológica. Essa é uma tarefa difícil, sobretudo dada a incerteza a respeito de quando mui­tas delas foram proferidas. Assim, convém repetir, foram agrupadas, como já mostramos, em torno de vá­rios temas. Aqui o estudante pode comparar a ordem sistemática das parábolas com a lista dada por Butterick e Straton. Muitas das pa­rábolas do reino têm sido classifica­das de acordo com as lições morais que enfocaram. Pierson agrupa as parábolas deste modo:

Cinco: expõem especificamente o caráter divino e seus atribu­tos;
Oito: registram a história do rei­no em sua era presente;
Nove: falam da responsabilidade da mordomia;
Nove: mencionam a importância da obediência como hábito do coração;
Seis: registram a beleza do per­dão e do amor desinteressado;
Quatro: tratam da necessidade permanente de vigilância;
Três: relatam a importância de a conduta condizer com o ensi­no;
Três: tratam da humildade e da insistência na oração;
Uma: fala da humildade em to­das as relações com Deus.

Por acharmos mais proveitoso para o pregador e o leitor examinar todas as parábolas e ilustrações pa­rabólicas de Jesus registradas nos quatro evangelhos na seqüência em que ocorrem, agora já temos um tra­jeto desde Mateus até João. Existem os comentaristas que dividem as parábolas em dois grupos – as ge­ralmente consideradas parábolas, como, por exemplo, a do Semeador, e as ilustrações e as figuras de lin­guagem de valor parabólico. Estas são o que poderíamos chamar pará­bolas menores, parábolas de segun­do grau, não tão plenas e importantes como as geralmente incluídas na primeira lista.

Como veremos, jun­tamos parábolas e proto parábolas, ordenando-as como aparecem no re­gistro sagrado.

 

1ª PARÁBOLA: DO PEIXE E DOS PESCADORES
(Mt 4:18-22; Mc 1:16-20; Lc 5:2-11)

 

Quando uma parábola ocorre em mais de um evangelho, é essencial comparar os registros corresponden­tes. Essa parábola, como se dá com quase todas, ensina que no mundo espiritual existem complementos para tudo o que é legítimo e natural no mundo material. Apesar do fato de que o nosso Senhor gastou gran­de parte do ministério nas adjacências do mar da Galiléia e muitos de seus apóstolos foram pes­cadores, parece singular que tenha feito tão pouco uso de parábolas so­bre a pesca. Assim, Jesus entrou para a sua breve, mas maravilhosa tarefa.
Compreendeu a necessidade dos que seriam capazes de absorver a sua mensagem e continuar o seu ministério depois de sua ascensão, como acompanhá-lo em suas jorna­das enquanto esteve entre os ho­mens. Para o seu primeiro grupo de seguidores e de associados, não foi a qualquer escola de rabinos ou cen­tro de aprendizado, mas chamou homens humildes para deixarem as redes e segui-lo. “Eu os farei pesca­dores de homens.” Dessa maneira fo­ram levantados de um baixo grau de pescaria para um alto, assim como Davi, que alimentava ovelhas e foi chamado para um grau mais eleva­do de pastoreio (SI 78:70-72).

A resposta dos quatro pescadores ao chamado de Cristo foi imediata, pois deixaram redes, barcos e paren­tes para acompanhá-lo. Agora lançavam a rede do evangelho no mar do mundo e traziam as almas para as praias da salvação. Podemos imaginar como Pedro, “o grande pes­cador” que se tornou porta-voz do grupo dos apóstolos, entrou para o significante uso parabólico do Mes­tre sobre os pescadores e os peixes. Os peixes do mar da Galiléia eram pegos vivos, mas rapidamente mor­riam, quando tirados do seu habitai. Agora, aqueles a quem Jesus chama­va foram designados para pegar os homens que estavam mortos -mor­te em transgressões e pecados— os quais, uma vez nas redes do evan­gelho, começariam a viver espiritu­almente.

Os pescadores experimentados estabeleciam três regras para o su­cesso da pesca, as quais deveriam ser observadas por todos os que pescam as almas dos homens:

Primeira: Mantenha-se fora de vista;
Segunda: Mantenha-se ainda mais fora de vista;

Terceira: Mantenha-se ainda mais longe fora de vista.

Os ganhadores de almas devem aprender que não podem promover a Cristo e a si próprios ao mesmo tem­po. Se um pescador lança a sua som­bra sobre a água, onde o cardume está, jamais poderá pegar os peixes. Da mesma maneira, a sua sombra é desastrosa na arte de ganhar almas. Quando o Dr. J. H. Jowett estava para falar para um grande agrupamento, um fervoroso irmão orou: “Agradecemos-te, ó Senhor, teu querido servo e pelo trabalho que ele está fazendo. Agradecemos-te que o tenhas man­dado a falar conosco. Agora, Senhor, oculta-o, oculta-o“.

Assim, para o pescador, a isca é um elemento importante e, pela prá­tica, ele aprende que ela é usada para atrair diferentes tipos de pei­xe. Os pescadores de homens devem, semelhantemente, ser capazes de pôr a isca no anzol. Uma visão curiosa, expressada pelos pais da Igre­ja, era que a cruz era o anzol e Cris­to, a isca pela qual o Todo-Poderoso capturava o mal. Tal figura de lin­guagem pode parecer grotesca, mas, com toda a reverência, podemos di­zer que Cristo, como a Bíblia o reve­la, é sempre o tipo certo de isca para pegar os homens. John Bunyan em linguagem parabólica disse: “A gra­ça e a glória são a isca do evangelho; leite e mel foram a isca que retirou seiscentos mil (sem contar as crianças, as mulheres e os velhos) do Egi­to“. Não importa quantas dificulda­des os pecadores apresentem, quan­do estão sendo tratados pelo ganha­dor de almas, que é eficiente na Pa­lavra de Deus, e saberá que a Escri­tura, a isca, é usada para resolver qualquer problema. Assim como esse chamado de Pedro, André, Tiago e João às vezes é confundido com outros dois rela­tos no mar, uma palavra é necessá­ria para diferenciá-los.

O chamado relatado em João 1:35-42 não é a mesmo de Mateus 4:18-22, pelas se­guintes razões: Aquele foi dado quando Jesus ainda estava na Judéia – este, de­pois de seu retorno à Galiléia;Naquele, André solicita uma entrevista com Cristo – neste, Cris­to chama André;Naquele, André é chamado com um discípulo cujo nome não foi men­cionado, que era claramente João (Jo 1:4). André vai e busca a Pedro, seu irmão, a Cristo, que então o chama – neste, André e Pedro são chama­dos juntos;Naquele, João é chamado jun­to com André, pelo seu próprio pedi­do, de uma entrevista com Jesus; nenhuma menção é feita de Tiago, cujo chamado, se é que aconteceu ali, não foi semelhantemente feito por seu irmão – neste, João é chamado junto com Tiago, o seu irmão.

Mais adiante temos um chama­do em Lucas 5:1-11, que também é diferente do de Mateus 4:18-22. No anterior, um milagre foi realizado; no posterior, não existe nenhum mi­lagre, salvo o da graça, revelado em tomar homens falíveis, pela inefabilidade de Cristo, para os tor­nar os seus cooperadores.

Naquele, todos os quatro são chamados jun­tamente; neste, os quatro são cha­mados à parte, em pares.

Naquele, as redes foram usadas para uma miraculosa pesca; neste, dois lan­çam suas redes, enquanto os outros consertam os seus instrumentos de pesca.

Naquele, temos um estágio avançado do ministério terreno de nosso Senhor, e algum entusiasmo popular. Neste, não deve ter havido nenhuma aparição pública na Galiléia; portanto, a falta das mul­tidões estendidas diante dele.

En­quanto caminha sozinho pelas prai­as do lago, Jesus aborda os dois pa­res de pescadores e chama-os para se transformar em ganhadores de alma: “Sigam-me, e eu os farei…“. Não há cristão que se tenha feito a si mesmo cristão ou cooperador no serviço de Cristo, pois todos são fei­tos por Cristo.

Que o Senhor Jesus continue te abençoando

Pr Jonas Neto