Parceria na vitória

 

Débora e Baraque

Nos turbulentos dias vividos por Israel, no tempo dos juízes, houve um período seqüente em que servos de Deus foram elevados à liderança da nação e deixaram, a todos, um legado histórico de heroísmo, de coragem e de dependência do Altíssimo. 

Foram mais ou menos 350 anos, em que o povo viveu um ciclo de rebelião, castigo, arrependi­mento e restauração, quando o cuidado e o amor divinos socorriam a nação sofrida e massacrada pelos saques, exploração e servidão sob os inimigos, povos deixados na terra da promissão que foram usados por leová para fustigarem os hebreus, em razão de sua própria insensatez. 

Sob dura opressão, os israelitas clamavam a Deus e Este Ihes suscitava líderes e libertadores que os livravam das mãos dos pilhadores. Após a morte desses juízes, voltavam freqüentemente à idolatria e à apostasia que fazia com que se afastassem da lei e dos mandamentos. 

Em tempos de crise, Deus usa homens e mulheres sintonizadas com Ele como arautos e conselheiros, os quais orientam ao caminho de volta à paz, à vitória e à liberdade. Unam-­se com outros de variados dons, e pela graça surgem no cenário da fé como verdadeiros atalaias do bem e da verdade. s contidos nesta lição revelam-nos verdades marcantes, no enfoque de seus personagens.  

I - DÉBORA, UMA LÍDER COMPROMETIDA COM DEUS E SEU POVO
Jz 4:1-9
Algumas mulheres exerceram notável influência entre seu povo no Antigo Testamento. Num período em que a posição do homem, como chefe, era inquestionável, elas surgiram como heroínas nas mãos de Deus e deixaram sua marca na história bíblica. Débora foi uma dessas mulheres extraordinárias, pois exerceu em seus dias uma forte liderança, tanto no aspecto político como no espiritual, quando o povo de Deus sofria o espólio de uma servidão sob }Abim, rei de Canaã. (Ver também outra mulher notável em 2Reis 22:14-20.) 

Débora demonstrou, por seu exemplo, uma sintonia perfeita com o propósito divino naqueles dias sofridos e adversos vividos pelas tribos de Israel, sendo ela um instrumento libertador. 

1. Sua magistratura (vs. 4,5) 

Exercia seu trabalho quando "Os filhos de Israel tornaram a fazer o que era mau perante o Senhor, depois de falecer Eúde" (v.l). 

Quando um povo distancia-se de Deus, acontecem enormes problemas de injustiça e exclusão sociais, com acúmulo de processos e desgaste da própria justiça. "Ela atendia debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na região montanhosa de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ela ajuízo" (4:5). "Era pois um ma­gistrado no sentido normal e não no sentido militar, pois nela se encontra­va presente um elemento carisrnático, tanto assim que era profetisa" (F. Davidson). 

2. Seu ministério profético (vs. 6,7) 

Como profetisa, Débora tornou-se conselheira do seu povo. Champlin diz que "era conhecida como mulher sábia e dotada de discernimento, que podia ajudar pessoas com problemas. É provável que os conselhos dela cobrissem todas as facetas da existência humana; mas, sem dúvida, ela não competia com o tabernáculo, com o sumo sacerdote e com o culto ali efetuado". 

Como profetisa, ela tinha a palavra de Deus e nesta base mandou chamar a Baraque: "Porventura, o Senhor, Deus de Israel, não deu ordem, dizendo: 

Vai, e leva gente ao. monte Tabor, e toma contigo dez mil homens dos filhos de Naftali e dos filhos de Ze­bulom?" (v.6). 

3. Sua coragem e confiança (v.9)

 "Ela respondeu: Certamente, irei contigo ... E saiu Débora e se foi com Baraque para Quedes". 

A Bíblia não revela sua participação direta na ação militar contra os inimigos, mas podemos inferir que o seu ministério foi exercido no encorajamento e nas estratégias aos exércitos liderados por Baraque. 

Embora submissa, não se acovardou nem se desanimou diante do forte exército comandado por Sísera, nem diante do temor de Baraque (v. 8), mas sua força e coragem a fizeram avançar na tarefa que Deus lhe deu. Alguns dizem que Baraque era um outro nome dado ao seu esposo Lapidote, o que é absurdo, segundo Champlin. 

Podemos aprender com Débora o que Paulo diz: "Tudo posso naquele que me "fortalece" (Fp 4:13), em meio a tantas impossibilidades e obstáculos na luta contra o inimigo. 

4. Sua adoração (Jz 5:1-31) 

Os vinte anos de opressão (4:3) haviam passado; a vitória sonhada tornara-se realidade. Deus triunfou gloriosamente pelos homens de Naftali e Zebulom: "E cada vez mais a mão dos filhos de Israel prevalecia contra lebim, rei de Canaã, até que o exterminaram" (Jz 4:24). 

A adoração de Débora mostra o seu reconhecimento e gratidão em forma de louvor e cântico. 

Vamos analisar em pontos alguns aspectos do seu lindo salmo. 

a. O Deus adorado é Todo-Poderoso (5:1-5). 
b. O Deus adorado é restaurador (5:6-8). 
c. O Deus adorado move corações (5:2,9,13-15a,18) 
d. O Deus adorado é justo (5:11)
e. O Deus adorado e aqueles que são omissos (5:15b-17,23) 
f. O Deus adorado usa os frágeis instrumentos (5:24-30) 
g. O Deus adorado e a oração (5:31). 

II BARAQUE, HOMEM TEMEROSO, MAS OBEDIENTE
Jz 4:6-10

Charnplin comenta sobre o nome Ba­raque e diz que significa relâmpago. Não obstante ele demonstrou temor quando condicionou sua participação na guerra à presença de Débora: "Se fores comigo irei; porém, se não fores comigo, não irei" (v.8). 

Isto me faz lembrar um outro episó­dio bíblico, mais relevante, quando Moisés condicionou a viagem para a terra da promissão não à presença humana, mas à presença do próprio Deus: "Se a tua presença não vai co­migo, não nos faças subir deste lugar" (Êx 33:15). 

  • Deus poderia dar vitória aos israelitas sem a presença de Débora?

1. No seu temor, Baraque dependia de Débora (vs, 6,8 e 9) 

A ordem expressa de Deus, pela profetisa Débora, era para que Ba­raque levasse gente ao monte labor e tomasse consigo dez mil homens dos filhos de Naftali e dos filhos de Zebulom. Ainda disse o Senhor: “E farei ir a ti para o ribeiro Quisom a Sísera... e o darei nas tuas mãos". Deus não deu a entender que era preciso ter a companhia de Débora, mas Ele mesmo daria o inimigo nas mãos de Baraque. Este temeu e por isso não foi usado para derrotar ou matar aquele capitão. 

  • Quantas vezes o temor nos tem privado das bênçãos que nos são prometidas por Deus!

O antídoto contra o temor e o medo são as palavras do Senhor a Paulo, aplicadas a todos nós, em Atos 23:11 : 
"Coragem! ...". Ver ainda Josué 1 :6-9; Mateus 28:20b. 

2. No seu temor, Baraque ainda obedeceu (v.10). 

"Então, Baraque convocou a Zebu- 10m e Naftali em Quedes, e com ele subiram dez mil homens, e Débora também subiu com eles o texto demonstra que Baraque materializou o objeto de sua confiança em Débora; a Bíblia diz que houve demérito nisto: o prejuízo de não ter o inimigo em suas mãos (4:9). 

Quando vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terrei" (Lc 18:8) 
Essa pergunta feita por Jesus nos faz refletir sobre nossa tendência de querermos ver, apalpar e sentir e até dependermos de outros que parecem mais dotados. 

  • Está escrito na Bíblia: "Ora, a fé é a certeza de cousas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem" (Hb 11:1).

3. No seu temor, Baraque ainda teve seu nome registrado na galeria dos heróis da fé (Hb 11 :32) 

Talvez um dia, depois de passar milhares de anos adorando o meu Senhor, lá no céu, eu Lhe pergunte: 
"Por que Baraque, que condicionou sua obediência à companhia de Dé­bora, tem o seu nome na galeria dos heróis da fé?". Talvez o Senhor res­ponda: "Ele me obedeceu e libertou o meu povo da escravidão jabínica (de Iabirnl, apesar de ser temeroso e exigir condições para isto". Conjecturando assim, comprovamos o que a Bíblia diz: "Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros" (1 Sm 15:22b). 

  • A obediência é a virtude por excelência como fruto da fé que professamos.

III – SÍSERA, O GRANDE COMANDANTE, CAIU NA ARMADILHA DE UMA MULHER HUMILDE
Jz 4:17-22; 5:24-30

O exército comandado por Sísera era forte pois contava com dez mil cavaleiros e novecentos carros; um exército que era o pavor da época contra a modesta tropa de Israel. Porém, Deus disse: "E farei ir a ti para o ribeiro Quisom a Sísera ... e o darei nas tuas mãos" (4:7), fazendo com que carros e cavalaria ficassem emperrados, quebrados e sem poder de locomoção. A vitória sobre Sísera foi contundente, deixando-o fugitivo e só. 

  • "Uns confiam em carros, outros em cavalos; nós, porém, nos glo­riaremos em o nome do Senhor, nosso Deus" (SI 20:7).

Sísera fugiu só e a pé; seu exército foi totalmente massacrado. A tenda de jael parecia sua tábua de salvação; esta o tratou com aparente bondade (Jz 4:18-19; 5:25). O cansaço e a so­lidão não o deixaram ver a armadilha em que caíra, pois os queneus, des­cendentes de jetro, sogro de Moisés, viviam em paz com jabim (4:17 - lael era esposa de Héber, o queneu). 

A mulher, humilde e nômade, matou o forte inimigo do povo de Deus. Tornou-se heroína e bendita entre as mulheres (ver 5:24). Foi usada como instrumento de Deus, para o cumpri­mento profético de vitória (4:9). 

  • Na história do evangelho no Brasil, jeová tem escolhido fre­qüentemente homens e mulheres humildes, frágeis e desprezados pelo mundo e aqueles que não são, para reduzir a nada os pode­rosos inimigos da Igreja. " ... sobre esta pedra edificarei a minha igre­ja, e as portas do inferno não pre­valecerão contra ela" (Mt 16:18).
Ver também 1 Co 1 :26-29. 

CONCLCUSÃO

O próprio Deus foi o protagonista no evento da retumbante vitória contida nesta lição, como em toda a história bíblica. 

Ele capacitou a parceria de Débora e Baraque para as tarefas de liderança e batalha. Usou elementos da Sua criação para derrotar o inimigo, como sempre faz nos livramentos. (Ver o cãntlio de Moisés em Êxodo 15 comparado com juízes 5.) 

Pr Jonas Neto

Ministrações, Palestras e Seminários
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