A essência do Culto Verdadeiro



O que é a essência do culto cristão? Russell Shedd resume, em seu livro Adoração Bíblica, algumas idéias que chamam a nossa atenção para os pontos mais importantes do culto. Em sua fundamentada visão de culto, ele apresenta o amor como sendo a essência do culto cristão.
 

O argumento do escritor tem o seu início em Deuteronômio 6:4 e 5 e os textos correspon­dentes em Mateus 22:36,37 e Marcos 12:30. 

Há pelo menos três marcas que podem ser consideradas as mais notáveis na compreensão do que é o culto verdadeiro. 

 

I - o culto verdadeiro deve ser integral 

No sentido de que inclui integralmente a pes­soa do adorador. Essa inclusão significa que a mente (inteligência, razão), os sentimentos (emoções) e ação (força) tomam parte do culto cristão. Conforme o referido autor, a adoração da igreja cumprirá seu objetivo se: 

1. O louvor vocalizar (der voz) a dignidade de Deus, a beleza da Sua pessoa e a perfeição do Seu caráter: Deve, ainda, convidar todo homem a atribuir glória ao Pai maravilhoso (SI 46: I O); 

2. a confissão do pecado que cometemos ex­ternar o reconhecimento da nossa indignidade e declarar nosso arrependimento pela rebelião contra a expressa vontade de Deus. Também não deixa de ser um estímulo forte de amor confiar no Seu imediato e imerecido perdão (IJo 1:9); 

3. nossa oração procurar assimilar os pensa­mentos de Deus; expressar petições de acordo com Seus conhecidos desejos. Amor genuíno funde os desejos dos que buscam o Reino e a vontade única de Deus; 

4. a mensagem, ouvida ou lida, suscitar pensa­mentos de gratidão e encorajamento. Serão veículos de transformação de inimigos em ami­gos que a Ele buscarão agradar ao 15: 14, 15);

5. a música atrair o coração para a beleza de Deus revelada na criação, na redenção e na regeneração, refletindo assim a harmonia do universo por Ele criado.

Há diversos textos bíblicos que nos ajudam a entender o valor desse padrão de adoração. Devemos destacar entre eles: Romanos 12: 1-3, I Coríntios 13: 1-3, Efésios 2:8, 10. 

II - O culto verdadeiro deve ser coerente 

Outra importante marca do culto que agrada ao Senhor é a coerência entre o que vivemos dia­riamente e nossa manifestação na adoração. 

Há diversos exemplos e textos bíblicos que tratam dessa questão. 

1. Deus rejeitou o culto de Caim-(Gn 4:5). 

2. O ensino de I João 3: I 1-15 acerca da maneira como devemos amar nossos irmãos antes de expressarmos culto (veja ainda Mateus 5:23- 24). 

3. O Salmo 5 I é também um excelente exem­plo sobre como devemos acertar com Deus nossa vida pessoal antes de oferecermos a Ele o culto em forma de sacrifício (veja os versículos 17 e 19). 

4. O Antigo Testamento, especialmente nos ensinos dos profetas, é repleto de sérias advertências contra a incoerência de um povo que prestava culto sem vida íntegra que pudesse agradar a Deus (veja como exemplo Isaías I: 10-17). Um sério perigo para o qual fomos alertados pelo próprio Senhor Jesus é o de adorarmos ao Senhor com os lábios, mas tendo o coração longe dEle (ver Isaías 29: 13 e Marcos 7:6,7). 

Estudos feitos com jovens têm demonstrado que uma das situações que mais os irritam e os afastam de uma igreja está relacionado à possível descoberta de incoerência entre o que a igreja prega e a maneira como seus líderes (ou membros, em geral) vivem. Jovens odeiam hipocrisia e amam a idéia de autenticidade, transparência, sinceridade! 

Na prática, porém, esse é um dos maiores desafios também para os jovens. Muitos estão vivendo grande luta, ten­tando conciliar sua religiosidade com um estilo de vida que certamente não agrada a Deus. 

Todos nós somos desafiados a fazer um exame de nossa vida (como acontece no convite para a participação na Ceia do Senhor - I Coríntios II :28) para que nosso culto seja realmente aceito perante Deus. 

III - O culto verdadeiro deve ser teocêntrico 

A palavra "teocêntrico" significa "Deus no centro". Acima de tudo, o que vale lembrar no estudo sobre o culto e adoração está a idéia de que o centro do culto é o próprio Senhor Deus. Como lembra Rusell Shedd, "a verda­deira adoração é aquela que oferece a Deus pelo Espírito, não confiando na carne, mas gloriando-se em Cristo Jesus (Fp 3:3)". 

As três pessoas da Trindade Santa são apresen­tadas na Bíblia como o centro do culto. 

1. Adorar a Deus achegando-nos a Ele por meio de Cristo Jesus é o grande privilégio de todo cristão.

Cultuar significa entrar no Santo dos Santos de forma corajosa e reverente (Hb 10: 19-23; 12: 18-29). Só Ele deve ser adorado, só Ele merece o culto (Mt 4: 10). 

2. De outro lado, a Bíblia deixa claro que além de oferecer modelo de como devemos agradar e cultuar a Deus, o Senhor Jesus é Ele mesmo o centro do culto cristão, Aquele que é digno de ser adorado (Ap 4:8-11; 5:7-14, e 9-12).

 3. Finalmente, de acordo com o ensino bíblico, todo culto verdadeiro deve ser prestado "em espírito e em verdade" ao 4:23, 24). É o Espírito quem abre os olhos do nosso coração para podermos ver as coisas espirituais (Ef I: 18), e nos transforma "de glória em glória" para podermos cultuar (2Co 3: 18). Só a vida cheia do Espírito pode verdadeiramente adorar ao Senhor em todas as dimensões que isso implica (ver Efésios 5: 18-29). 

Um bom exercício para todos nós é verificar­mos quem é o centro do culto que prestamos. Há muitos casos em que Deus deixa de ser o centro, e o que toma o lugar é, na verdade, os gostos, as necessidades, a cultura, ou mesmo a vontade humana. Em casos quando o culto é planejado para agradar as pessoas (seja porque somos submissos a elas, ou porque queremos agradar-Ihes), o que temos é "idolatria". Por outro lado, quando fazemos de tudo para agra­dar a nós próprios, o que temos é "egolatria" (eu no centro), revestida de forma de culto a Deus, mas satisfazendo aos nossos gostos, desejos e manias pessoais. 

Homem (o eu ou o outro) Deus 

De que lado está o culto do qual você participa? 

Conclusão 

Um desafio final nesse esforço de entender o culto verdadeiro é o de manter a igreja uni­da para toda a expressão de culto, evitando qualquer manifestação que resulte em divisão do Corpo de Cristo. Um corpo dividido terá, naturalmente, muita dificuldade de prestar um culto verdadeiro (ver Ef 2: 11-22; 4: 1-6).

o desejo de aprender a amar uns aos outros e a capacidade de enfrentar nossas diferenças para que possamos comparecer juntos, unidos perante o nosso Deus, é um dos exercícios mais bonitos (e difíceis) que deve envolver a todos nós. Nesse ponto, voltamos ao início de nossa lição de hoje, com toda a idéia de que o ponto de referência do culto verdadeiro é mesmo o amor. Como ensinou nosso Senhor Jesus. amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

 

 

Pr Jonas Neto