As parábolas do Senhor Jesus Cristo



Jesus entra em nosso caminho, nos quatro evangelhos, como o Mes­tre das parábolas, porque ele é o Mestre da Vida. Como se expressa maravilhosamente Butterick: “As parábolas são mensagens caracte­rísticas de Jesus (Mc 4:34). São as suas mais notáveis mensagens; seus quadros ainda são uma forte gravura que relembram quando o rústico se torna obscuro. São a sua mensagem mais persuasiva; um ensino proseador não poderia quebrar nossa inflexível vontade; mas a vista do pai vindo para dar as boas-vindas a seus filhos desobediências deixa-nos totalmente indefesos”.
 

As parábolas de Jesus são singu­lares e incomparáveis. The Aesops’s fables [As fábulas de Esopo] e Os contos da Cantuária, de Chaucer, tornam-se pálidos em insignificância ao lado das incomparáveis nar­rativas daquele que é o “incomparável contador de parábolas”. Se, como Hillyer Straton afirma, “uma das coisas mais interessantes sobre as formas parabólicas de literatura é a sua raridade, as boas parábolas são poucas e muito distantes”, nosso Se­nhor certamente não tinha nenhu­ma falta nesse sentido. Nada pode­ria, ou pode, competir com ele, cuja percepção era tão instantânea, cuja imaginação era tão rica e cujo discernimento, tão verdadeiro. “Da perspectiva de suas realidades para a vida, as parábolas de Jesus são insuperáveis.” Ele tinha a habilida­de de empregar todas as formas e variedades de figura de linguagem, da sua forma mais simples até a mais complexa elaboração. 

Com respeito às parábolas e aos símiles, pouco ou muito expandidos ou explicados, enquanto umas 30 parábolas são citadas como reais, ocorrem mais de 100 figuras de lin­guagem. Sem dúvida nosso Senhor usou muito mais, e é impossível sa­ber quantas parábolas proferiu. To­das as do seu discurso são altamente figuradas e constituem as maravilhosas e impressivas exibições da verdade. 

Como já mostramos, todos os seus milagres contêm um signifi­cado parabólico escondido, de modo que as parábolas têm significado mais profundo que o literal. Seus en­sinos parabólicos são em geral intro­duzidos primeiramente pela fórmu­la: “Propôs-lhes outra parábola, di­zendo…”. Às vezes, a imagem de uma parábola é relacionada com um dita­do parabólico, não tanto anunciado. 

Em nossa pesquisa das parábo­las do AT, vimos que muitas tinham significado claro; mas em outras isso não ocorreu. Por exemplo, na Pará­bola da cordeira, Davi não vê a ex­plicação até que ele mesmo conde­nasse o culpado. Acabe e os cativos que escaparam é outro exemplo. Es­ses símbolos do AT tinham a inten­ção de chamar a atenção para uma pretendida lição, por retratar de modo objetivo a maldade desmasca­rada. Como algumas parábolas neces­sitavam de comentarista, Jesus atuou desse modo e explicou o significado de algumas delas, em particular, para. os seus discípulos, porque receberam o conhecimento dos “mistérios do rei­no” (Mt 13:11). 

Outras de suas pará­bolas, contudo, foram tão menciona­das que foram entendidas até mes­mo pelos seus inimigos, pois, sem dúvida, era a sua intenção. 

Butterick afirma que o dom de Jesus de apresentar parábolas ain­da é muito respeitado atualmente: “Os dias de sua vida fluíram dos portões dourados para dentro da ci­dade de sua alma, para ali ser trans­formado por uma divina alquimia em incomparáveis parábolas […] Se pudéssemos apenas ter ouvido as narrativas que fez no crepúsculo da Síria para as criancinhas, na casa de Maria!”. Pelo estudo de suas pará­bolas, fica evidenciado que aqueles 30 anos escondidos em Nazaré o pu­seram em contato com todo tipo de pessoas. Estava intimamente asso­ciado com a vida humana, assim também com a ordem política de seu tempo. Desse modo, quando come­çou seu ministério público, o hetero­gêneo grupo de personagens que ti­nha encontrado e o vivido cenário que conhecia tão bem foram “transforma­dos em narrativas inesquecíveis – cada parábola com linhas tão defini­das como uma gravura a água-forte”. 

Quanto à forma em que as pará­bolas de Cristo devem ser estudadas, tentativas foram feitas para colocá-las em ordem cronológica. Essa é uma tarefa difícil, sobretudo dada a incerteza a respeito de quando muitas delas foram proferidas. Assim, convém repetir, foram agrupadas, como já mostramos, em torno de vários temas. Aqui o estudante pode comparar a ordem sistemática das parábolas com a lista dada por Butterick e Straton. Muitas das pa­rábolas do reino têm sido classifica­das de acordo com as lições morais que enfocaram. Pierson agrupa as parábolas deste modo: 

Cinco: expõem especificamente o caráter divino e seus atributos;

Oito: registram a história do rei­no em sua era presente;

Nove: falam da responsabilidade da mordomia;

Nove: mencionam a importância da obediência como hábito do coração;

Seis: registram a beleza do perdão e do amor desinteressado;

Quatro: tratam da necessidade permanente de vigilância;

Três: relatam a importância de a conduta condizer com o ensino;

Três: tratam da humildade e da insistência na oração;

Uma: fala da humildade em todas as relações com Deus. 

Por acharmos mais proveitoso para o pregador e o leitor examinar todas as parábolas e ilustrações pa­rabólicas de Jesus registradas nos quatro evangelhos na seqüência em que ocorrem, agora já temos um trajeto desde Mateus até João. Existem os comentaristas que dividem as parábolas em dois grupos – as geralmente consideradas parábolas, como, por exemplo, a do Semeador, e as ilustrações e as figuras de linguagem de valor parabólico. Estas são o que poderíamos chamar pará­bolas menores, parábolas de segundo grau, não tão plenas e importantes como as geralmente incluídas na primeira lista. 

Como veremos, juntamos parábolas e proto parábolas, ordenando-as como aparecem no registro sagrado.

Bom estudo

Pr Jonas Neto